Passei quase que uma semana inteira tentando definir o que eu realmente pensava e sentia em relação ao acontecido. Tentando separar raiva de desapontamento, desapontamento de frustração, frustração de revolta. Tentando entender porquês, decifrar frases passadas, procurar em cada minuto e cada detalhe algo que pudesse ter me traído. Eu, tão esperta. Eu, tão estudada, esclarecida, iniciada, formada e pós-graduada em palhaçada e falta de vergonha na cara masculina. Tão inteligente, tão perspicaz.... tsc tsc tsc. Não, eu nem uma vez imaginei que ele poderia ser casado. Nem cara, nem aliança, nem postura, nem assuntos... nada de casado. Eu tinha mais cara de casada que ele, e olha que eu me enquadro na categoria very very single do Orkut, (se esta existisse). E nem é que eu me revoltasse com o fato dele trair a mulher, eu já havia definido fidelidade como “qualidade raríssima” a algum tempo. E pra minha maior surpresa, eu, mulher também já traída e enganada, tão feminista em dados momentos, não me conseguia me revoltar com o fato dele ter “me escolhido” pra traí-la, nem conseguia ter ódio dele por ter me enganado também. Só conseguia mesmo ficar perplexa.
A verdade é que ele era um espetáculo de homem. Inesperadamente “competente”, inadvertidamente irresistível. Precisei reunir todo o meu orgulho e toda a minha racionalidade pra ser firme e pra apagar aquele sorriso safado quase infantil da minha cabeça, precisei de toda a resolução do mundo pra não atender o celular quando ele ligou, mais tarde naquela semana. Mas eu não atendi.
O fato é que eu simplesmente me recusava a abaixar a cabeça e me entregar à decepção. Por isso eu resolvi aceitar quando aquela amiga comprometida ligou chamando pro aniversário do namorado. Seria uma boa oportunidade pra rever aquele pessoal que eu não via a muito tempo, pra beber com os amigos sem segundas intenções, pra passar uma noite, ao menos uma, sem procurar alguém.
Só uma calça jeans e uma blusinha preta, sapatilha sem salto, pouca maquiagem. Me olhei no espelho e me senti leve, pela primeira vez em muito tempo. Naquela noite eu podia ser só eu mesma. Sem jogos de conquista e sedução, sem representar nenhum papel, sem caras, sem bocas. Só eu.
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