segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Nem sei o que eu senti na hora que eu ouvi aquilo. Acho que o efeito do vinho me deixou um pouco mais devagar do que normalmente, mas demorei cerca de uns 10 segundos para me assustar. Mas quando eu reagi aquela novidade, foi da pior maneira possível. Eu levantei totalmente frenética passando a mão no meu cabelo loucamente, e tentando sussurar de uma forma discreta, porém tenho certeza que qualquer pessoa de todos os prédios vizinhos, seus porteiros, zeladores e seguranças me ouviram em desespero completo falando no sussurro mais alto da história:
- Meu Deus do Céu, o que eu faço agora?!?!
- Você vai ter que sair pela janela.
- Você está doido? Isso aqui é o terceiro andar.
Ele queria que eu saltasse daquela janela para a do apartamento vizinho em uma "operação homem-aranha" que as minhas aptidões físicas não eram capazes de realizar. O máximo que eu ia conseguir era cair lá em baixo e sair na capa de todos os jornais estilo "Tribuna do Crime" com uma foto minha estampada e uma poça de sangue em volta dos meus sedosos cabelos compridos.
Ele insistiu loucamente e eu neguei até o fim, e tudo isso aconteceu em menos de 1 minuto e de repente, eu ainda um pouco descabelada e tonta por causa do efeito do álcool no meu sangue, quando olhamos para porta, tinha uma mulher parada.
Loira (amarelo, na verdade), de cabelo um pouco armado parecendo que ela fazia escova e tinha tomado chuva, pouca maquiagem, uma roupa comum, baixa estatura, sem beleza e nem charme. Nesse momento, nenhuma mulher do mundo teria charme. Ela estava pasma, e de repente começou a falar:
- O que significa isso??? - A voz dela saiu fraca e esganiçada, mas alguns segundos depois ela encheu o pulmão de ar e deu um berro - O QUE SIGNIFICA ISSO, LUIS CLAUDIO?
Eu realmente não sabia de que forma eu deveria reagir, mas na hora que eu escutei a voz daquela mulher e que eu sabia que ela era a mulher dele (na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe), eu fiquei mesmo era com medo. Eu sei que me deu um tremor dos pés a cabeça, minha mão estava gelada e suada e meus olhos estavam se enchendo lágrimas, junto com as minhas bochechas que começaram a corar. Eu tinha certeza que aquela pobre coitada traída, ia pular no meu pescoço com as unhas dela e me matar ali naquela apartamento, depois me jogar pela janela para simular um suícidio, mas não, ela correu na direção dele e eu corri na direção da porta.
Desci as escadas no prédio correndo, passei pelo portão e paradoxalmente eu me senti bem mais segura na rua. Fui caminhando apressada, como se estive no meu exercício matinal, segurando minha bolsa no ombro, meu casaco pendurado na minha mão, quase arrastando no chão. As lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas eu não sentia como se eu tivesse chorando. Acho que elas eram apenas um reflexo do meu nervosismo.
Comecei a pensar na minha vida amorosa. Ela tinha sido um fracasso desde os meus 10 anos de idade, quando eu levei meu primeiro fora. Depois disso, as coisas só pioraram, os homens me amavam no início, "me queriam para sempre até amanhã". Depois de algumas semanas, a história se repetia, a gente se distanciava, em alguns casos somente eles se distanciavam e pronto, isso era um ponto final na relação. Eu só tinha a oportunidade de viver amores unilaterais. Ou eu me interessava ou ele. Nunca os dois ao mesmo tempo.
E dai eu fico me perguntando: por que isso acontece comigo? Eu sou linda, inteligente e bem humorada. Por que os homens não querem um relacionamente saudável comigo?

Um comentário:

Thefy disse...

Parece até que vc conheçe a minha vida..rs..simplesmente disse o que estava entalado na minha garganta...
Já adoro o seu outro blog, esse aqui então nem se fale..
Bjokas flor...